Sim, Não, Talvez... Não sei.
Estamos a três dias do referendo sobre a proibição do comércio de armas e munições no Brasil. E a maior parte das pessoas está em dúvida sobre que botão apertar no domingo. Mas eu não vim aqui pra dizer qual é a melhor proposta, que diferença vai fazer se o sim vencer, e muito como ficará essa questão das armas depois dos resultados (até porque eu não sou vidente nem adivinha).
Como sempre, estou observando esse momento, e algumas coisas me chamaram atenção.
Independente de qual seja a campanha, a do sim ou a do não, existe uma semelhança muito profunda na forma de qualificar determinadas pessoas da nossa sociedade. Elas são referidas como marginais, bandidos, criminosos, vagabundos, etc etc. Essa perspectiva é totalmente coerente para aqueles que não vivem nas favelas, que têm a sorte de ter um emprego, que encontram em suas clausuras particulares uma solução cômoda para o problema da violência.
Porém, se tomarmos o ponto de vista daquelas pessoas que convivem diariamente com a pobreza, com o desemprego, com a humilhação diária e com a violência adentrando às suas casas; que muitas vezes encontram no tráfico de drogas uma oportunidade de ter, além de roupa e comida, ter também o prestígio e o respeito das pessoas por carregar uma arma em punho. Creio que eles não se veêm somente como marginais e vagabundos (sim, porque eles sabem que é assim que são reconhecidos pelas pessoas descritas acima), mas também como pessoas que não desistiram tão fácil, que não se renderam ao cargo de miserável e tentaram um outra saída.
Analisando as coisas dessa maneira, posso dizer que o verdadeiro bandido, o verdadeiro vilão da história é a discriminação, o preconceito. Se as oportunidades fossem realmente oferecidas a todos, se a população que mora "no asfalto" não humilhasse a galera do morro, se realmente houvesse preocupação com a qualidade de vida dessas pessoas e não somente com aqueles que já têm qualidade de sobra, talvez não se estivesse discutindo sobre a venda de armas.
Hã? Venda de armas? Mas o quê que isso tem a ver com a violência?
Sinceramente, não quero saber o que diz cada uma das campanhas, porque sei que na verdade esse referendo está querendo tapar o sol com a peneira, como já estamos acostumados a ver. Ou seja, ele não vai servir de nada. Só para a gente sentir que está fazendo algo de bom para o nosso país, quando não estaremos fazendo nada de mais.
Essa é a minha observação sobre esse referendo. Ao contrário do que as campanhas dizem, ele não resolverá nada, não garantirá nada. É só mais um artifício para nos preocuparmos com coisas menos importantes e deixarmos o resto de lado, como sempre foi. Ou ainda tem alguém querendo saber como está o andamento das CPIs?
De qualquer forma, seria melhor que houvesse mais do que 2 opções no próximo domingo, porque pelo menos haveria votos mais conscientes...

1 - Não
2- Sim
3- Talvez
4- Não sei
5- Ah! Vai se #*#*##**#*!
6- NRA
