quinta-feira, outubro 20, 2005

Sim, Não, Talvez... Não sei.

Estamos a três dias do referendo sobre a proibição do comércio de armas e munições no Brasil. E a maior parte das pessoas está em dúvida sobre que botão apertar no domingo. Mas eu não vim aqui pra dizer qual é a melhor proposta, que diferença vai fazer se o sim vencer, e muito como ficará essa questão das armas depois dos resultados (até porque eu não sou vidente nem adivinha).
Como sempre, estou observando esse momento, e algumas coisas me chamaram atenção.
Independente de qual seja a campanha, a do sim ou a do não, existe uma semelhança muito profunda na forma de qualificar determinadas pessoas da nossa sociedade. Elas são referidas como marginais, bandidos, criminosos, vagabundos, etc etc. Essa perspectiva é totalmente coerente para aqueles que não vivem nas favelas, que têm a sorte de ter um emprego, que encontram em suas clausuras particulares uma solução cômoda para o problema da violência.
Porém, se tomarmos o ponto de vista daquelas pessoas que convivem diariamente com a pobreza, com o desemprego, com a humilhação diária e com a violência adentrando às suas casas; que muitas vezes encontram no tráfico de drogas uma oportunidade de ter, além de roupa e comida, ter também o prestígio e o respeito das pessoas por carregar uma arma em punho. Creio que eles não se veêm somente como marginais e vagabundos (sim, porque eles sabem que é assim que são reconhecidos pelas pessoas descritas acima), mas também como pessoas que não desistiram tão fácil, que não se renderam ao cargo de miserável e tentaram um outra saída.
Analisando as coisas dessa maneira, posso dizer que o verdadeiro bandido, o verdadeiro vilão da história é a discriminação, o preconceito. Se as oportunidades fossem realmente oferecidas a todos, se a população que mora "no asfalto" não humilhasse a galera do morro, se realmente houvesse preocupação com a qualidade de vida dessas pessoas e não somente com aqueles que já têm qualidade de sobra, talvez não se estivesse discutindo sobre a venda de armas.
Hã? Venda de armas? Mas o quê que isso tem a ver com a violência?
Sinceramente, não quero saber o que diz cada uma das campanhas, porque sei que na verdade esse referendo está querendo tapar o sol com a peneira, como já estamos acostumados a ver. Ou seja, ele não vai servir de nada. Só para a gente sentir que está fazendo algo de bom para o nosso país, quando não estaremos fazendo nada de mais.
Essa é a minha observação sobre esse referendo. Ao contrário do que as campanhas dizem, ele não resolverá nada, não garantirá nada. É só mais um artifício para nos preocuparmos com coisas menos importantes e deixarmos o resto de lado, como sempre foi. Ou ainda tem alguém querendo saber como está o andamento das CPIs?
De qualquer forma, seria melhor que houvesse mais do que 2 opções no próximo domingo, porque pelo menos haveria votos mais conscientes...
1 - Não
2- Sim
3- Talvez
4- Não sei
5- Ah! Vai se #*#*##**#*!
6- NRA

segunda-feira, outubro 10, 2005

Outra ótica em prol do melhor

Aproveitando a idéia da Analu (a quem agradeço o apreço e a contribuição filosófica), vou estender um pouco mais a dissertação do último tópico.
Em primeiro lugar, vou fazer uma consideração importante. O que seria de cada um de nós, em nossa individualidade, se não fosse o nosso próximo? É maravilhosa a contribuição que um outro ser pode fazer em nossas vidas, abrindo uma nova porta, fazendo chegar um outo matiz para vermos aquilo que não conseguíamos.
A reflexão de que esse defeitinho da curiosidade mórbida colabora para o espírito de solidariedade foi muito interessante. Realmente. Se não olhássemos para a desgraça quem iria se importar? Nem iríamos saber que ela exista... E ao mesmo tempo, quando deveríamos olhar para certas situações parece que temos medo, vergonha de que percebam a nossa indiferença... É o confronto da solidariedade com o egoísmo humanos. Pela teoria do yin e yang acho eu que isso seria um exemplo de equilíbrio.
Porém, na reflexão do meu texto anterior, não adotei uma posição pessimista em relação aos comentários das colegas. Pelo contrário. Eu comecei agradecendo e admirando a defesa e a solidadriedade das minhas companheiras, mas depois me coloquei como uma mera observadora dos fatos. E o fato é que geralmente temos a tendência de prestarmos mais atenção no que é ruim. O que desenvolvi a partir daí é que pode ser avaliado como pessimista, já que possivelmente generalizei um pouco. E é aqui que entra a minha valorização pela contribuição do próximo. Assim, pude enxergar algo de novo e de melhor sobre a atração natural pelo ruim, o que coincide plenamente com a proposta que fiz na última postagem.
E com isso tudo acho que posso dizer que os seres humanos se precisam, seja no momento das dificuldades físicas, como na hora de simplesmente se observar o mundo à volta.